O que uma década de pesquisa de varejo revela sobre o futuro dos shoppings no Brasil

Entender o consumidor é prioridade para o mercado de shoppings, que há décadas investe em pesquisa de varejo para conhecer melhor quem frequenta os centros comerciais, seus hábitos e nível de satisfação com a experiência oferecida.  

A equipe da Fronte Pesquisa – anteriormente IBOPE Inteligência – vem realizando esse monitoramento desde 2015 e agora, em 2025, essa trajetória de uma década permitiu uma análise aprofundada da evolução do comportamento do consumidor. Ouvimos quase 20 mil clientes até o final de 2024, o que nos garante um retrato confiável e representativo da realidade dos shoppings no Brasil. As principais conclusões você encontra a seguir. 

Visitas mais longas, apesar de menos frequentes 

Ao longo da última década, os shoppings no Brasil deixaram de ser apenas espaços de conveniência semanal para se tornarem destinos mais estratégicos e planejados – reflexo do consumidor, que hoje dispõe de menos tempo. 

Em 2014, 52% dos consumidores visitavam centros comerciais semanalmente. Hoje, esse número caiu para 40%, evidenciando uma mudança no papel do shopping na vida das pessoas. O que isso significa para o setor? Se a frequência diminuiu, como transformar cada visita em uma experiência inesquecível e valiosa? 

Curiosamente, o tempo médio de permanência aumentou em 22%, chegando a 1 hora e 34 minutos por visita. Esse dado traz um insight poderoso: o consumidor quer mais do que um passeio rápido. Ele busca experiências completas. 

Necessidade de adaptação nos estacionamentos 

Outro fator importante é o transporte. Aplicativos de mobilidade, que eram praticamente inexistentes em 2014, agora representam 19% dos deslocamentos. Isso reflete uma preferência clara por praticidade e flexibilidade. Se os consumidores estão deixando o carro próprio de lado, os shoppings deveriam repensar a estrutura de chegada ao empreendimento e os seus estacionamentos. 

Alimentação e lazer ganham relevância 

Comer no shopping deixou de ser um suporte à compra e se tornou um motivo real da visita. Hoje, 58% dos visitantes gastam com alimentação, contra 45% em 2014.  Enquanto o gasto médio com alimentação é de R$ 82, os clientes de maior renda e aqueles que visitam o shopping com foco em lazer chegam a gastar R$ 139 e R$ 92, respectivamente. 

O lazer também teve um salto importante. A taxa de conversão mais que triplicou em dez anos, passando de 4% para 14%, com um gasto médio de R$ 105 por visita. Entre consumidores de 45 a 54 anos, esse valor sobe para R$ 141, demonstrando uma nova oportunidade para explorar formatos de entretenimento que conversem melhor com esse público. 

Mais conversão 

Nas lojas, apesar do ticket médio de R$ 422 ter permanecido estável (quando comparado ao resultado de 2014, atualizado pelo IPCA do período), o percentual de conversão aumentou: hoje, 51% dos visitantes realizam compras, o maior índice desde 2014. Esse dado é expressivo, pois mostra um consumidor mais decidido e estratégico, que visita menos, mas converte mais suas visitas em compra. 

O cliente de shopping, no geral, está satisfeito com os empreendimentos que frequenta. O Net Promoter Score (NPS) do setor está em 68 pontos, um forte indicativo de qualidade. Esse resultado confirma que, mesmo diante de tantas transformações, os shoppings continuam relevantes e bem avaliados pela experiência que oferecem. Isso será suficiente para o futuro? Qual será o próximo grande diferencial para não apenas manter essa satisfação, mas elevar a experiência a um novo patamar e atender expectativas que nem os consumidores sabem bem quais são? 

Fato é que o consumidor de 2025 busca praticidade: um polo de lazer, gastronomia e conveniência que torne cada visita ao shopping realmente valiosa. Ele reduz a frequência, mas aumenta o tempo e o gasto. A grande provocação que fica é: os shoppings estão se adaptando ou sobrevivendo? 

Para entender melhor o estudo, ouça o episódio do nosso podcast em que eu, Juliana Piai, e meu sócio, Fabio Caldas, comentamos os dados desse estudo, disponível no Spotify e no Youtube

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