PIB do 2º trimestre de 2021 sinaliza dificuldade para retomada do consumo

Não há dúvida de que a retração de 0,1% no PIB do segundo trimestre de 2021 foi um banho de água fria no varejo e em todos que esperam ansiosamente a retomada da economia pós-pandemia. Mas um olhar mais atento para a baixa demanda interna nos ajuda a, pelo menos, entender melhor a situação. Com pouco emprego e inflação alta, a renda das famílias – quando ela existe – está completamente comprometida com alimentação e moradia, sobrando cada vez menos recursos para o consumo.  E a expectativa é de piora, com o aumento no custo da energia elétrica.

Se não há consumo, a demanda interna fica comprometida e o varejo sofre para manter empregos e lojas abertas há praticamente dois anos. Como lojistas e gestores de shopping podem contornar o problema e tentar contribuir com a retomada econômica? Não há muito espaço para estratégias mirabolantes que não passem por promoções e facilidade de pagamento.

É hora de se solidarizar com o consumidor

Mostrar empatia com o consumidor neste momento, e com a crise que ele vem enfrentando, pode ajudar a criar vínculos entre ele e a marca. Isso não trará resultados imediatos em vendas, mas é uma relação que, se bem construída e semeada, deve se traduzir em consumo de fato quando a população voltar a ter emprego e renda suficientes. Quando isso acontecerá? Essa é a pergunta um milhão de dólares que, até o momento, ninguém é capaz de responder.

O cenário não é favorável. Há previsões falando sobre estagflação em 2022, uma combinação de estagnação econômica com inflação alta.

O desemprego chegou a 14,6% no primeiro trimestre deste ano e variou para 14,1% no segundo trimestre, maior patamar dos últimos anos. São 14,76 milhões de pessoas sem renda fixa, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). É a segunda maior taxa de desemprego dos últimos nove anos. Desses 41,2% procuram emprego há mais de um ano, situação que provavelmente comprometeu bastante a renda das famílias.

Com uma população sem renda definida e despesas aumentando por conta da inflação, o consumidor não tem recursos para consumir e não há mágica capaz de fechar essa conta. A retomada do varejo passa necessariamente pelo aumento das ofertas de trabalho.

A importância da confiança na economia

Outro fator importante para a retomada da economia é observar o aumento da poupança interna. O que deveria ser uma boa notícia, é um sinal de problema, pois quem tem dinheiro tem evitado gastar. Uma possível explicação é que a população pode estar se precavendo, provavelmente por conta da expectativa de piora do cenário econômico e político. Sim, porque instabilidade política causa insegurança e afasta investimentos, tanto externos quanto internos. Como o governo vai trabalhar neste contexto para impulsionar nosso crescimento? Aguardemos! Um ponto, entretanto, é claro: a retomada econômica passa pela melhoria da confiança no país, que por sua vez depende de estabilidade política para dar mais segurança a investidores que queiram voltar a investir no Brasil, gerando mais oportunidades e empregos, e à população que tem dinheiro, mas não consome por insegurança em relação ao futuro. O desafio é grande!

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