Crescimento de shoppings no Brasil: Os cuidados ao investir no interior

Antes de avaliar o investimento em um novo shopping no interior, o empreendedor precisa de informações e de pesquisa de mercado para desenhar um bom planejamento.

O crescimento de shoppings no Brasil, a partir de 2010, foi extremamente acelerado devido a alguns fatores:

  • Facilidade no acesso a investimento em shopping (de origem internacional).
  • Economia em franco crescimento.
  • Mercado de shopping centers, até então, com demanda represada.

Tudo isso, associado à falta de terrenos nas grandes cidades (ou ao seu alto custo), fez com que os olhos dos empreendedores se voltassem às cidades do interior na hora de planejar o investimento em shoppings.

Olhando para trás, vemos que muitos desses shoppings enfrentaram – e continuam enfrentando – problemas, como: elevada vacância, baixo fluxo de clientes e resultados financeiros muito abaixo das expectativas. Em muitos casos não é possível corrigir os erros de planejamento, mas podemos analisar o que foi feito e entender o que pode ser melhorado nos próximos empreendimentos.

O que significa ‘interior’?

Interior é um termo muito abrangente. Avaliar a construção de um novo shopping em Campinas ou em outras grandes cidades do interior de São Paulo é muito diferente se comparado a pequenas cidades em estados menores. Isso significa que cidades pequenas, fora do eixo RJ-SP, não podem ter shoppings? Claro que não, mas é preciso estudar minuciosamente o mercado de shoppings no interior. E a pesquisa de mercado ajuda nesse sentido.

Deslocamento

O primeiro ponto a ser observado é a lógica de deslocamento do consumidor na região estudada. É preciso se perguntar se aquela cidade em que você pretende instalar o shopping costuma receber consumidores dos municípios do entorno ou se as pessoas buscam produtos e serviços em outros lugares. Quanto maior for a tendência de fuga do consumidor, mais o mix do shopping precisará ser diferenciado, o que pode ser um problema, já que muitas redes varejistas olham com cuidado para mercados menores.

Localização sempre será o ponto principal

Um dos principais erros de planejamento do investimento em shopping é a escolha do ponto unicamente pela perspectiva imobiliária. Normalmente, terrenos mais afastados das regiões centrais no interior são mais baratos, o que pode facilitar o início do negócio. Mas gastar menos na aquisição do terreno pode ser um grande risco quando o shopping estiver em operação.

O consumidor do interior está acostumado a buscar o comércio de rua para solucionar todas as suas necessidades e isso normalmente ocorre na região central. Assim, quando o shopping for inaugurado, os consumidores pensarão automaticamente: “Vale a pena deixar de ir às lojas que estou acostumado para ir a um local mais distante e correr o risco de encontrar mais do mesmo?”.

O que temos visto é que o consumidor prefere manter seus hábitos e apresenta certa resistência em visitar shoppings em locais distantes (muitas vezes em rodovias). Portanto, lembre-se: quando a localização não é muito boa, o shopping precisará ter grandes diferenciais para atrair e convencer o consumidor a superar a barreira geográfica.

Cuidado com o tamanho do empreendimento

É comum escutarmos a seguinte frase: “Construir um shopping de pequeno ou de grande porte demanda o mesmo esforço”. Por isso, muitas vezes, os empreendedores preferem já partir para um empreendimento mais robusto. Mas existe um risco embutido nessa decisão, que é a dificuldade de conseguir lojistas para ocupar toda a área.

Alta vacância é um dos fatores mais decisivos para o fracasso de um novo shopping. Vamos pensar juntos: o consumidor gosta de ver o nascimento de um shopping na sua cidade e decide conhecer o empreendimento, mesmo ficando em uma região mais distante. Mas se ele encontrar a maior parte das lojas vazias – e as que estão em operação forem as mesmas que ele encontra perto de sua casa -, por que ele fará uma segunda visita? O esforço que o shopping precisará para corrigir essa imagem negativa é muito grande e, por vezes, demandará um investimento que o empreendedor não tem.

Planeje o shopping no tamanho adequado para o mercado que atenderá. Esse é o melhor caminho. Se optar por construir um empreendimento maior para ganhar em escala na obra, sugerimos estudar junto ao arquiteto uma forma de deixar parte da área inacessível ao consumidor, a qual será aberta apenas quando o mercado estiver pronto para uma expansão. O retorno financeiro pode demorar um pouco mais, mas com certeza o impacto negativo de um shopping sem lojas será minimizado.

Um shopping no interior pode dar certo?

Obviamente! Shoppings podem funcionar ou ter problemas tanto nas capitais quanto no interior. A grande questão que queremos reforçar aqui é a importância de investir em informação e realizar o planejamento de forma cuidadosa antes da tomada de decisão. Esse é o melhor caminho para driblar ameaças e conseguir implantar um empreendimento de sucesso!

Vai construir um empreendimento no interior? Fale conosco para analisarmos a pesquisa certa para o seu caso.

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