Neste bate-papo para o podcast Nos Corredores do Varejo, Sarah Elydio, estrategista de shopping, fala sobre a 1a NRF Singapura. Ela mergulha no varejo asiático e traz insights valiosos sobre a cultura dos shoppings na Ásia, sua integração com a rotina das cidades e a a importância da cultura de dados para o varejo.
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A NRF existe há mais de 100 anos em Nova Iorque e esta foi a primeira edição do evento na Ásia, Por que?
A gente sente que teve uma grande pressão da Ásia para levar um evento como esse para lá. Essa foi a minha primeira vez em Singapura e realmente é incrível como o varejo lá é incrível, como eles estão se desenvolvendo, a agilidade com que eles conseguem construir as coisas. E quando eu falo construir, não é só no sentido literal da palavra de construir um prédio, mas se eles desenham um conceito, se eles desenham uma estratégia, é incrível como eles conseguem alcançar isso de forma muito prática e rápida.
E, de fato, [a Ásia] é o novo mercado, é o novo varejo, o varejo que vem despontando. Eu acho que as próximas gerações de shoppers, de estrategistas de varejo, vão se inspirar na Ásia como a gente se inspirou no varejo norte-americano.
O que torna o varejo asiático tão forte assim a ponto de levar a NRF para Singapura?
O primeiro shopping que eu fui tinha todas as lojas de grife que você puder imaginar. Louis Vuitton, Gucci, Dior, Chanel, todas. Eu saí do shopping impressionada, olhei pra frente e tinha outro shopping com uma vitrine gigante da Dior e da Louis Vuitton. Depois atravessei a rua e tinha outro shopping. Só nessa quadra eu contei quatro Louis Vuitton. Em um único shopping contei duas. E as pessoas com sacolas. Não era só as lojas, era aquele consumismo.
Uma única rua tem quase 50 shoppings. Para atravessar de um lado pro outro, da rua, você tem que descer pelo shopping. E aí você chega em outro shopping, dentro de outro shopping.
Qual é a explicação para os shoppings fazerem tanto sucesso em Singapura?
A cidade é muito quente, então a média que a gente pegou lá foi 36 graus e não diminui. Além disso chove muito, uma chuva torrencial. Então as pessoas vão para o shopping. E é muito consumismo. Os shoppings todos lotados. Shoppings de 5, 6, 7 andares. Não tem comércio de rua.
Qual é exatamente o papel dos shoppings na Ásia?
O shopping é o lazer dele. O lazer dele é comprar também. Mas os shoppings, diferente dos Estados Unidos, com cinema, parquinhos, boliche, plays gigantíssimos de brincar, espaço para a criança brincar, muita ativação. Diferente dos Estados Unidos, que os shoppings são mais frios, eu vi muita similaridade com o Brasil. Fiz vários vídeos de gente, ação de marketing, ação de mídia, feira do livro, até feira do livro no meio do shopping tinha. E os restaurantes, por conta do calor, todos dentro do shopping.
Durante a NRF Singapura, ou mesmo nas suas visitas, você viu alguma estratégia lá que faz sentido para o varejo brasileiro?
Eles estão com uma estratégia muito forte de coleta de informação. Todo lugar que você vai, você tem que baixar o aplicativo ou se inscrever em alguma coisa. Até dá para eu comprar sem fazer cadastro, mas aí você perde os benefícios. É como se eu chegasse em uma loja aqui do Brasil, da Marisa, C&A, e eu só pudesse comprar o valor na prmoção se eu desse meus dados. E é incrível como isso é muito fluido. Eu vi que as pessoas nem sentem esse atrito mais.
Agora imagina a quantidade de informação que eles não têm a respeito dessa pessoa, a quantidade de informação que cada lojista também consegue ter sobre aquela pessoa. Eu achei muito interessante a forma com que eles linkam as coisas. A pessoa entrega o dado mas em contrapartida tem um benefício.
E esse mindset estratégico, fazendo link com a NRF, foi o que muitos palestrantes trouxeram. Como que a gente toma decisão? Colocando o consumidor no centro, entendendo o que ele quer, o que ele gosta. E como que a gente faz isso? Com dados. Então, é uma cultura muito forte e ainda vejo aqui no Brasil a gente patinando nessa questão. Tanto de coletar quanto de usar.
Quais são os 3 principais aprendizados que você traz da NRF Singapura?
O primeiro aprendizado é que a gente realmente não pode se enviesar nunca. Então eu falo muito sobre repertório estratégico. A gente como varejista precisa ampliar nosso repertório, conhecer novos mercados, olhar para a Ásia
Já o segundo aprendizado é sobre a gente quebrar algumas barreiras. O pensamento ocidental é muito diferente do oriental. A gente no ocidente é ensinado a pensar num produto e focar, nichar. E o pensamento oriental é diferente. Eles têm um pensamento mais abrangente. Em vez de nicharem muito, eles vão fazendo várias coisinhas. A Shopee nasceu de um jogo de videogame. A Amazon já está indo por essa linha. Então eu acho que isso, para estratégia de negócios, é extremamente importante. Não é à toa que marcas de luxo escolhem a Ásia para testar produtos.
Por fim, o terceiro aprendizado é que a gente precisa olhar pro concorrente e enxergar como nosso parceiro também. Além dos shoppings serem grudados, como eu comentei, uma coisa que eu nem trouxe aqui, como eles clusterizam corredores. Em todos os shoppings, a parte infantil era na parte de cima, todas as lojas juntas, compondo um cenário infantil, trazendo uma atmosfera. O concorrente é concorrente em certo momento, mas em outro ele pode te fortificar e transformar o espaço que você ocupa em um destino.
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