Liderança feminina: Desafios das mulheres superintendentes

A liderança feminina está em menos de 1/3 dos shoppings brasileiros, apesar das mulheres serem a maioria em outras áreas. Mas nossa percepção é de que esse cenário está mudando, porque vemos cada vez mais mulheres assumindo o cargo de superintendentes.

Para conversar sobre a trajetória profissional de algumas dessas mulheres e os desafios e particularidades da liderança feminina, convidamos para um bate-papo honesto e inspirador Laura Serradilha e Milena Damasio.

Laura é mãe do Vítor (6 anos), esposa e superintendente de shopping. Trabalha no varejo desde 2006 e já passou por Ancar Ivanhoe e Terral Shopping Centers, nas regiões Centro-Oeste, Norte e Sudeste. Atualmente está na WE9 Shopping Centers, como superintendente no Limeira Shopping. É bacharel em direito e estudou administração de shopping no ICSC, marketing para shopping na ESPM, gestão e performance na Fundação Dom Cabral, gestão de pessoas e liderança no IBMEC e gestão de shopping no Insper.

Já Milena trabalha há 23 anos com shopping centers. Estudou administração de empresas, começou trabalhando na área financeira e se especializou em shopping pelo Insper. Já passou por Shopping Villa Lobos, Jardim Sul, Daslu, Saphyr Shopping Centers, AD Shopping, Lumine, Soul Malls e Partage Shoppings. Atualmente é Chief Operating Officer, da Blachere Iluminação Brasil, que pertence ao Grupo Criadores de Experiência C+E.

Aqui estão os principais trechos dessa conversa, que você ouve na íntegra em nossos canais no Spotify ou no Youtube.

Milena, o caminho profissional é mais difícil para as mulheres? 

Milena: Sim, o caminho ainda é bastante difícil e desafiador para nós mulheres. Existe uma representatividade já grande, mas ainda no nível gerencial, predominante mais em marketing, inclusive. Mas essa liderança executiva é uma questão histórica. Sempre foram cargos ocupados por homens.

75% das pessoas em cargos de superintendência são homens. Pensando numa população brasileira em que 50% é homem, 50% é mulher, há um desequilíbrio muito claro. Laura, por que você acha que a liderança feminina ainda é mais rara?

Laura: Eu acho que é uma questão de abertura de oportunidades, programas de incentivo para mulheres nessa alta gestão. E até acho que o entendimento de que a mulher, por ter essa vocação pessoal de mulher, mãe, dona de casa, executiva, mesmo ela estando muito preparada, existe muita dúvida sobre se ela dá conta. A mulher tem que provar que consegue. A boa notícia é que a gente vê que o cenário está mudando, até porque as empresas veem como é relevante essa questão da diversidade de gênero 

Quais softskills vocês percebem na liderança feminina dentro dos shoppings?

A mulher é muito mais sensível e leve do ponto de vista de gestão, de poder liderar e engajar com um olhar de colaboração, de criar uma conexão (…) até porque a gente está falando de um negócio que é movido por pessoas, tem muita gente envolvida, desde a base operacional. Estamos falando de perfis muito diferentes e até do ponto de vista de oportunidade de vida, desenvolvimento, discernimento. A mulher tem essa sensibilidade de colocar isso tudo em plano e saber conduzir.

Milena: É muito importante o acolhimento, a empatia, o atendimento. Sabemos ser práticas, mas a gente também sabe o momento em que a questão toda é apenas um acolhimento. Aí eu falo de lojista, colaborador e cliente também.

O que vocês enxergam de mudanças no comportamento dos consumidores nos últimos anos? 

Milena: Eu vejo que o consumidor está cada vez mais exigente, buscando experiências. Ele vai ao shopping também para comprar, mas não só para isso. Além das compras, busca conveniência, serviços, a própria digitalização. O consumidor quer, mais do que nunca, viver, experienciar, e ele busca isso no shopping. Ele quer resolver a vida dele dentro de um shopping. E tem uma geração um pouco mais nova que valoriza demais as práticas sustentáveis. Então isso é uma bandeira que tem que estar muito escancarada nos shoppings, porque é um diferencial hoje.

Laura: Acho que a gente deixou de ter consumidor e passou a ter de fato cliente. Hoje o pilar de mix tem a mesma relevância que um pilar de entretenimento, ou de serviço. O consumidor quer estar em um ambiente gostoso, confortável, com a segurança de fazer tudo o que ele goste.

O que vocês acham que os shoppings ainda precisam mudar do ponto de vista da gestão e do marketing?

Laura: A gente tinha uma receitinha do que fazer no ano. As ativações em datas comemorativas e o Natal, o grande protagonista. Hoje a gente vem numa pegada de fazer marketing de oportunidade. Já é esperado que a gente tenha algo nessas datas varejistas. E está comprovado que essas datas não têm o mesmo desempenho de antes, porque existe hoje um comportamento diluído, de maior frequência, maior recorrência e de consumo não só concentrado nessas datas. Então, a gente tem que ter oportunidades, eventos, surpreender o cliente em datas que ele não espera, com uma boa ação, uma boa experiência em marketing, festivais. Todo final de semana, se você for no shopping, tem programação de marketing. 

Qual decisão vocês já tomaram nesse cargo de superintendente que vocês têm mais orgulho?

Milena: Acho que a decisão mais acertada que já tive foi a de me colocar como uma alternativa preparada para assumir a superintendência. Eu estava muito bem na minha posição de gerente financeira. Eu me sentia capaz e, ao mesmo tempo, confortável demais onde eu estava. Então entendi que eu precisava abraçar um pouco mais de responsabilidade. Eu tinha essa visão generalista já desenvolvida e achei que tinha preparo para aquilo.

Laura: Fica difícil poder eleger uma ou outra, mas eu acho que o fato da gente, pelo menos falando por mim aqui, o fato de eu nunca ter desistido, apesar de cenários bastante difíceis, de ter tido coragem de seguir adiante em circunstâncias difíceis, cenários difíceis, sair de uma empresa de grande porte, onde eu estava há 14 anos, e ir para o mercado, buscar o que eu queria.

 Ouça a entrevista completa em nossos canais no Spotify ou no Youtube.

Outras notícias do blog da Fronte