Os outlets têm se consolidado no Brasil como uma alternativa de acesso a produtos de grandes marcas, com pelo menos 40% de desconto. Fizemos, inclusive, uma pesquisa recente para a Abrasce – Associação Brasileira de Shopping Center sobre o perfil do consumidor que frequenta esses empreendimentos. E desta vez convidamos Antonio Eloy, que participou do planejamento e implantação do outlet Santa Maria, inaugurado recentemente na região de Cravinhos, para entender como construir um empreendimento de sucesso.
A seguir os principais trechos dessa entrevista.
Tem espaço para mais shoppings e outlets no Brasil?
Eloy: Espaço sempre vai existir (…). A gente tem pouco mais de 600 shoppings hoje no mercado do Brasil, associados à Associação Brasileira de Shopping Center (Abrasce). E o mercado de outlets no país hoje tem em torno de 17 operações. É muito iniciante. O mercado de Outlets no Brasil começou há 15 anos atrás, é uma operação muito recente (…). O mercado está em ebulição.
O que diferencia o momento atual de outros momentos de crescimento do mercado?
Eloy: A gente tem uma dispersão de conhecimento muito grande no momento em que executivos que estavam blindados a pequenos grupos, altamente dominantes, começam a disseminar conhecimento e a formar novos núcleos de capacitação para planejamento, desenvolvimento, comercialização, gestão. Seja de shopping centers, outlet, strip malls, multifuncionais, seja qual for a modelagem. A gente começa a ter, de novo, uma reeducação ou talvez uma transformação desse segmento.
Faz sentido construir um outlet num local que já está bem servido de outros empreendimentos?
Eloy: O ponto crucial é ter um bom planejamento. E para ter um bom planejamento, a gente precisa ter uma boa calibragem de pesquisa de mercado, por exemplo. (…) No mercado de shopping center, a gente tem um perfil de ocupação, de lojistas, franqueados. O segmento de outlet é o contrário, a grande maioria são detentores daquelas marcas, então há uma mudança no processo de negociação.
Você falou que o Santa Maria já nasce um projeto vencedor e que tem 90% de ocupação. A que você atribui esse sucesso?
Eloy: Em 29 de novembro esse projeto abriu ao público, ele já tinha 90% alocado. Esses residual são contratos que estão em fase final para assinatura. Houve um cuidado muito grande do grupo empreendedor. É um grupo local, que conhece extremamente bem a região, desenvolve vários projetos na região, então tem o conhecimento de como é o perfil socioeconômico, o perfil do consumidor daquela praça (…). Quando a gente tem a vivência, embasado numa pesquisa bacana, com um planejamento interessante, e reúne um time de competência, a probabilidade de ter falhas é muito curta.
E o projeto arquitetônico? O que tem de diferente?
Eloy: O Santa Maria tem um projeto de paisagismo muito agradável. Um open mall, a céu aberto, mas com estrutura de shopping center. E ele já nasce tecnológico. A gente tem muita coisa chegando de tecnologia no mercado, naturalmente quem já está 20, 30, 40 anos no mercado está começando a inserir isso no seu contexto.
Entretenimento em shopping é diferente de entretenimento em outlet?
Eloy: Os modelos de outlet não estão hoje desenhados com grandes áreas cobertas, por exemplo, para grandes praças de eventos. Tem bolsões cobertos em alguns pontos, que você consegue aproveitar e fazer uma escala de projetos ao longo do ano, com atividades voltadas para entretenimento de família. Ou usar alguma loja que temporariamente esteja ainda em fase de trâmite contratual e colocar uma atração.
É diferente fazer marketing para shopping e para outlets?
Eloy: Tem dois momentos muito cruciais: Quando a gente coloca a visão do que é o empreendedor para esse mercado que empreende, que faz acontecer. E o outro momento que é o projeto em si, desmistificá-lo ao grande público, entender o que é o conceito de Outlet. Tem mais tempo de visita, um ticket médio muito maior. O consumidor que está dentro do outlet quer saber a condição comercial, o que ele vai economizar. Já o shopping está atraindo pelo mix, conforto, praticidade, mas também tem um pool de atividades culturais muito fortes. Cada um tem mercado, cada um tem seu jeito.
O que é um bom ponto para um outlet?
Eloy: Tem que olhar se tem capacidade e fôlego financeiro desse público para absorver esse novo projeto. (…) Precisamos ter vias irrigadas de fluxo, uma rodovia à frente muito bem oxigenada a todo instante, um bolsão de cidade no entorno, pensando no trabalhador que vai operar as lojas.
A entrevista completa está em nossos canais no Spotify e no Youtube.