Chegou a hora de voltarmos a falar sobre expansão no varejo ?

Foto de Fabio Caldas

Fabio Caldas

Sócio da Fronte Pesquisa

Falar de expansão do varejo no Brasil é difícil porque o país passa por crises de tempos em tempos, isso não é novidade nenhuma. E a próxima crise já está contratada para quem vive o varejo. Pode ser política, econômica, de confiança, nacional ou internacional. Tanto faz. O que importa é que o varejo já sabe que a próxima virá.

A crise de 2014/2015 pegou o setor de shopping em um grande momento de expansão do varejo. O número de inaugurações, projetos em desenvolvimento e em crescimento estava muito acelerado. Costumo comentar que no início da década de 2010, ainda nos tempos de IBOPE Inteligência, chegávamos a estudar mais de 100 possíveis terrenos para novos shoppings por ano – um volume altíssimo.

O mesmo acontecia para outros setores, como supermercado, home centers e as âncoras de moda. Mas essa expansão do varejo foi freada em 2014 e o país enfrentou dois anos de recessão, com quedas do PIB superiores a 3%, que causaram forte impacto no desenvolvimento do varejo.

Os anos 2017 a 2019 foram de crescimento lento, mas com alguma esperança de recuperação. Afinal, havíamos parado de cair. Mas então vem a pandemia e aprofunda o buraco do qual o varejo tanto lutava para sair.

Finalmente os últimos dois anos (2023-2024) começam a mostrar sinais de evolução importantes: Recuperação do PIB, com dois anos seguidos de crescimento acima de 3%; desemprego em queda, renda com crescimento real e inflação controlada. Dados da ABRASCE e CNC mostram resultados positivos nas vendas do Natal de 2024.

Tudo isso levanta a pergunta: estamos presenciando o início de um novo ciclo de expansão do varejo nacional? Será que veremos uma aceleração da abertura de novas lojas?

Acredito que antes de pensarmos em expansão do varejo e, em especial, dos shoppings, temos que observar o que acontecerá com as redes varejistas, principalmente a ocupação da área vaga nos shoppings que abriram durante a segunda metade da última década. Agora será o momento da divisão entre bons projetos que foram prejudicados pelas derrapadas econômicas e outros que não deveriam ter sido construídos. A partir dessa depuração, as oportunidades para novos lançamentos serão mais claras, mas dificilmente veremos números como os do início da década passada.

Há razões, entretanto, para otimismo. Apesar do ritmo tender a ser mais lento, todos os sinais apontam para a retomada do crescimento. Veremos projetos diferentes, mais investimento em multiuso, pequenos centros comerciais ou outlets.

O ponto de atenção para expansão do varejo deve ser o custo dos terrenos e a falta de grandes áreas em boas localizações, fatores limitantes para novos investimentos.

De qualquer forma, acredito que estamos iniciando uma nova onda de investimentos e, como sempre, terá melhores resultados quem sair na frente.

Outras notícias do blog da Fronte