Por que o varejo precisa acordar para a geração prateada? 

Por que o varejo precisa acordar para a geração prateada?

O Brasil está envelhecendo, e não é de hoje. Mas será que estamos entendendo e dimensionando corretamente o impacto que essa mudança demográfica tem no consumo e no varejo? O novo episódio do podcast “Nos Corredores do Varejo” joga luz sobre um dos segmentos mais poderosos e, paradoxalmente, mais subestimados do mercado: a Geração Prateada

Para isso, Taís Bahov e Juliana Piai, sócia da Fronte Pesquisa, conversam com Lívia Hollerbach, consultora do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e head de comportamento e dados da Data 8, hub de pesquisa, tendência e inovação que estuda os impactos da revolução da longevidade no Brasil e no mundo. 

Nessa conversa, Lívia fala sobre a pesquisa “Mercado Prateado Brasil 2024”, divulgada recentemente pela Data 8 e que traz dados essenciais para qualquer profissional que trabalha com varejo ou que busca entender as mudanças no consumidor.  

Principais números 

A pesquisa aponta que, até 2044, quase metade da população brasileira (cerca de 40%) terá mais de 50 anos. Esse público não apenas cresce em número, mas também em poder aquisitivo e influência. Estima-se que, até lá, a Geração Prateada será responsável por 35% do consumo do país, movimentando aproximadamente R$3,8 trilhões! 

É um mercado robusto, com necessidades e desejos específicos, e um grande potencial para negócios que souberem inovar. 

Varejo X geração prateada 

Apesar desses números impressionantes, a grande provocação do episódio é: o varejo brasileiro está realmente preparado para esse cenário? Ou ainda foca excessivamente em gerações mais jovens, negligenciando um segmento maduro, com renda estável e grande disposição para o consumo? 

A realidade é que muitos varejistas ainda operam com estereótipos ultrapassados sobre o envelhecimento, oferecendo produtos e serviços que não dialogam com a realidade de uma geração prateada ativa, conectada e desejosa de experiências e qualidade de vida. A pesquisa e a experiência de Lívia mostram que desde a comunicação de marketing até o design das lojas e a usabilidade de aplicativos, há um “gap” significativo que precisa ser preenchido para atender melhor a esse público. 

A indústria de vestuário, por exemplo, precisa se adaptar para oferecer produtos que atendam às necessidades e preferências desse público, evitando a “ditadura do bege” e criando peças com design e funcionalidade. O setor de educação também tem um grande potencial, especialmente na requalificação profissional e na oferta de cursos voltados para essa faixa etária. 

Como conquistar a geração prateada 

A discussão com Lívia Hollerbach aponta caminhos claros para as empresas que querem prosperar nesse novo cenário. Não se trata apenas de adaptar, mas de inovar e, acima de tudo, entender profundamente este consumidor. Alguns pontos-chave abordados no podcast são: 

    1. Visão holística: É preciso ir além do estereótipo, pois os perfis de consumo, necessidades e aspirações são muito variados na faixa etária acima dos 50 anos.  

    1. Design: Produtos, embalagens, lojas físicas e plataformas digitais devem ser pensados para serem acessíveis e confortáveis para todas as idades, mas sem perder o apelo estético. Um produto não precisa ser feito para ser funcional. 

    1. Comunicação: Evitar clichês e mostrar a geração prateada como ela realmente é: ativa, moderna e relevante. Focar em soluções que melhorem a qualidade de vida, a saúde e o bem-estar. 

    1. Oportunidades além do óbvio: O mercado prateado não se resume a produtos de saúde. Ele abrange turismo, lazer, tecnologia, moda, educação e finanças, por exemplo. 

O episódio do “Nos Corredores do Varejo” é um chamado à ação para que o setor repense suas abordagens e comece a construir um futuro mais inclusivo e lucrativo. 

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