Caminho inverso: Por que o Google decidiu abrir uma loja física?

A internet foi surpreendida há alguns dias com notícias de que o Google se soma às investidas de outros gigantes da tecnologia, como Amazon e Apple, no varejo físico. Com previsão de abertura para o verão americano, a loja física do Google será inaugurada em Nova York, no bairro de Chelsea, perto do seu campus que abriga mais de 11 mil funcionários.

À primeira vista parece uma decisão difícil de compreender. Abrir uma loja física em pleno 2021, tempo em que todas as atenções estão voltadas à internet, pode ser considerada uma decisão inusitada. Mas não para o Google. Não é a primeira vez que a empresa aposta em espaços físicos, no passado já criou lojas pop-up para promover seus produtos.

Com a promessa de oferecer experiências imersivas e permitir que seus consumidores testem os produtos antes de decidirem ou não pela compra, na loja será possível encontrar smartphones da linha Pixel, notebooks Pixelbooks, pulseiras inteligentes Fitbit e dispositivos domésticos da Nest. Agregado a isso tudo, os clientes poderão retirar os pedidos feitos online e contar com um atendimento feito por vendedores e especialistas para elevar a experiência a outros níveis. Além disso, o Google manterá todos os protocolos de segurança com o número de visitantes limitado e garante que máscaras, higienização das mãos e distanciamento social serão exigidos.

Mas investir em espaços físicos nos dias atuais é estar tão na contramão assim? Acreditamos que não. “Sabemos que o e-commerce e a loja física são conceitos complementares que agregam diferentes valores ao consumidor e, no final do dia, um não irá substituir o outro. As lojas continuam oferecendo experiências que só podem ser vividas offline e especialmente as lojas de eletrônicos instigam o consumidor a sair de casa para ver de perto – e tocar – as novidades. Existe, sim, uma magia em torno desse tipo de produto.”, afirma Juliana Piai, sócia da Fronte.

Varejo físico no Brasil

No Brasil, o e-commerce teve uma grande aceleração devido a pandemia da Covid-19 e alcançou níveis que estavam previstos anos à frente. No entanto, a pandemia também trouxe um novo olhar para o varejo físico e mostrou o seu valor.

Segundo relatório da XP Investimentos (Batalha de Titãs: O que esperar do setor de e-commerce), publicado em fevereiro de 2021, as lojas hoje são vistas como grandes centros de distribuição e lojas de conveniência e se tornaram um ativo valioso para viabilizar ofertas multicanal, impulsionando a eficiência de marketing e reforçando as marcas.

Mas, para se adaptar aos consumidores mais conectados, os varejistas precisarão repensar a experiência na loja física e torná-la cada vez mais digital. Esse movimento, conhecido como figital (físico + digital), deve ser seriamente considerado, visto que os consumidores ainda valorizam a experiência na loja, mas esperam que a tecnologia reduza o tempo gasto com o pagamento no caixa e a procura de produtos, por exemplo.

Oferecer conveniência também é uma forma de se destacar: compra online e retirada na loja, soluções de pagamentos sem necessidade de pegar filas e dark stores (lojas de varejo tradicionais transformadas em centros de distribuição) são alguns exemplos de facilidades que podem atrair os consumidores.

Outro dado interessante: segundo uma pesquisa da A.T. Kearney, 81% da Geração Z, composta por pessoas nascidas entre 1990 e 2010, prefere fazer compras nas lojas físicas e 73% gostam de descobrir novos produtos nas lojas.

Apesar de parecer inesperado, isso acontece por que essa geração enxerga o varejo físico como uma forma de “se desconectar” do estresse da mídia social. Além disso, a falta de acesso a cartões de crédito para fazer compras online e valorizar o momento de compra como uma experiência são gatilhos para esses consumidores optarem por realizar suas compras pessoalmente.

E você, o que acha dessa tendência de varejistas nascidos digitais migrando para uma abordagem presencial? Conte pra gente!

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