O faturamento do setor em 2020 chegou a R$ 8 bilhões, segundo a Associação Brasileira de Marcas Próprias e Terceirização (Abmapro)
A alta da inflação e o desemprego estão afetando as condições de consumo dos brasileiros vertiginosamente. Nos supermercados, consumidores buscam por produtos mais acessíveis – muitas vezes sem sucesso. E, para piorar esse cenário, o conflito entre Ucrânia e Rússia impactou os preços dos itens derivados do petróleo, inclusive o gás de cozinha.
Mas o que as empresas do segmento de varejo alimentício podem fazer para ajudar – e atrair – o consumidor neste momento? Rotas precisam ser recalculadas: dar menos espaço para produtos caros nas prateleiras, rearranjar as gôndolas com produtos em ofertas, disponibilizar embalagens maiores, como amaciantes e fraldas, e oferecer itens da marca própria do supermercado são boas ideias.
Marcos Escudeiro, que possui mais de 30 anos de experiência no mercado de varejo de alimentos, alertou algum tempo atrás em conversa com a Fronte: “Quando falamos de Brasil, a grande questão a ser considerada é a renda.” Hoje, mais do que nunca, é preciso entender e se alinhar ao novo tamanho do bolso do brasileiro.
Marcas próprias ganham espaço nas prateleiras
As marcas queridinhas do povo brasileiro estão perdendo espaço para marcas próprias das redes de supermercado, que têm preços mais competitivos. Esse impacto nos carrinhos de compra vem acontecendo especialmente com produtos de higiene, beleza e limpeza. De acordo com uma pesquisa da Kantar encomendada pelo site Extra, a preferência por desodorantes mais econômicos aumentou 39% de 2020 para 2021, e a procura por alvejantes mais baratos aumentou 29%. No Carrefour, vendas de produtos da linha própria cresceram 50% nos últimos dois anos e, hoje, correspondem a quase 20% da venda total do grupo, disse Allan Hock, diretor de marca própria, para o veículo.
Ao investir em marcas próprias, os supermercados lucram com a isenção de gastos com publicidade e ponto de venda. Mas, lembre-se: essa estratégia vai além de oferecer bons preços. A qualidade é essencial para fidelizar o cliente.
Pesquisa de preço para supermercado
Para tentar manter o equilíbrio financeiro, é importante que supermercados tenham clareza sobre o quanto é possível flexibilizar preços. Ou seja, é preciso avaliar o melhor preço a ser cobrado por um produto com base nas percepções do público-alvo e, também, no tamanho do seu bolso hoje.
Existem técnicas estatísticas para validar os valores mínimos e máximos aceitos pelo consumidor. Assim, o varejista consegue evitar o “chutômetro” na tomada de decisão.
Neste momento é preciso entender exatamente como essas mudanças de hábito de consumo afetam seu negócio e demonstrar empatia pelo consumidor brasileiro. Você está fazendo isso?