O compromisso do varejo com a pauta ESG

Alexandre Sattos, gerente de ESG na Ancar Ivanhoe, fala sobre a importância do tema para o varejo

Apesar de ter se popularizado bastante nos últimos dois anos, a sigla ESG (Environmental, Social and Governance) surgiu lá atrás, em 2004, durante um encontro sobre investimento sustentável com 50 CEOs de instituições financeiras. Para aprofundar o assunto e entender como essa agenda reverberou mais fortemente no mundo corporativo nas décadas seguintes, conversamos com Alexandre Sattos.

Publicitário por formação, Alexandre tem 18 anos de experiência em gestão em sustentabilidade, responsabilidade social e comunicação corporativa. Hoje está à frente da área de ESG da Ancar Ivanhoe, plataforma de shopping centers com 23 empreendimentos pelo Brasil.

ESG x sustentabilidade x responsabilidade social

Antes de tudo é preciso esclarecer que ESG, sustentabilidade e responsabilidade social não são a mesma coisa.

ESG (ou ASG em português) refere-se basicamente à mitigação de riscos financeiros para o negócio, respondendo, inicialmente ao principal stakeholder nesse processo: o investidor. É interessante também explicar o tripé do ESG, que é formado pela: mitigação de riscos, inovação como base para perenidade do negócio e construção de narrativa. A integração desses três pilares significa a implementação genuína dessa agenda. Já, sustentabilidade e responsabilidade social estão dentro de um grande plano estratégico da companhia.

Quando se fala em sustentabilidade é comum pensar somente em questões ambientais, mas sustentabilidade é ter um negócio que gere lucros (pensando obviamente no 2º setor) e seja perene. A sustentabilidade, diferente do ESG, tem um olhar a médio e longo prazo, com diversas iniciativas que conversam com a estratégia macro da empresa. Ela vê riscos e oportunidades diferentemente do ESG, que mitiga riscos.

A responsabilidade social é uma das iniciativas da empresa para alcançar um padrão maior de sustentabilidade, criada para atender e endereçar questões sociais. Mas, atenção: As ações precisam ser estruturadas e não podem ser feitas de forma pontual. Existem empresas que fazem doações pulverizadas e chamam isso de responsabilidade social corporativa. O que não é verdade. “É indicado ter um planejamento estruturado com metas, indicadores e KPIs, para verificar qual o retorno das ações para a sociedade e para o negócio”, aconselha Alexandre.

O valor do ESG para os shoppings

Existem riscos inerentes ao negócio que não podem ser eliminados. Por exemplo, se houver uma denúncia de racismo em um shopping, isso afetará não somente a reputação da empresa, mas também seu valuation. Com uma agenda ESG fortalecida, é possível eliminar parte desse risco.

As novas gerações são outra prova de que a agenda ESG é um caminho sem volta para o varejo. Os consumidores mais jovens levam em consideração aspectos da agenda ESG na hora de comprar, escolher um local pra trabalhar ou decidir com quais empresas irão se relacionar. Para os shoppings, que estão diretamente ligados às necessidades do consumidor, não estar atento a essa agenda significa correr riscos desnecessários.

O mercado está cada dia mais complexo, por isso é preciso sempre investir em inovação e colocar o consumidor no centro do negócio. As empresas precisam fazer a sua agenda ESG convergir com o comportamento desse consumidor.

Para ouvir essa conversa na íntegra, acesse nosso podcast “Nos Corredores do Varejo” no Spotify.

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