Principais insights da NRF 2024, por Juliana Piai

Perdeu o pós-NRF 2024? Conversamos com Juliana Piai, sócia da Fronte, para entender o que fica de mais relevante para o varejo brasileiro depois do evento.

Qual tema foi unanimidade na NRF 2024?

Eu acho que o tema mais quente é o uso da inteligência artificial, que não é uma exclusividade do varejo. Está todo mundo olhando mais para a inteligência artificial desde que o ChatGPT se popularizou. E tem muitas soluções interessantes, que ajudam no dia a dia, não só do varejo.

Qual deve ser o foco do varejo neste ano, em relação a inteligência artificial

Pensar em incorporar cada vez mais ferramentas de inteligência artificial no dia a dia pra diminuir o tempo de trabalho da equipe.

O que mais chamou a sua atenção na repercussão da NRF 2024?

Embora não seja uma grande novidade, eu não tinha ouvido falar tanto sobre retail media como neste ano.

O que é retail media?

É transformar os espaços que você já tem na sua loja, no seu shopping, em outras maneiras de monetizar. Mas a antiga BrMalls, que agora é Allos, rentabiliza os espaços do shopping com propaganda pelo menos desde 2000. A diferença é o foco, agora, em buscar monetizar a atenção que você já tem. Ou seja, são empresas de varejo, vendendo outras coisas. E a previsão é otimista, de que retail media crescerá 25% ao ano e representará mais de 25% do gasto total em mídia digital até 2026.

Como evoluiu o assunto da revenda e economia circular, que já tinha sido bastante falado na NRF 2023?

A Mariana Carvalho [sócia do FFX Group e da Ancar Ivanhoe] fala sobre o paradoxo do varejo. Quanto mais a empresa visa apenas o lucro, menos lucro ela tende a ter. Porque o pensamento para o futuro é que o valor da empresa esteja não só no produto que ela vende, mas no intangível, no que ela não vende. E uma das coisas é a economia circular. Onde está o paradoxo? Você ao mesmo tempo tem que pensar no futuro, no valor que você deixa para a sociedade, mas hoje você precisa também vender um produto. Talvez seja uma questão de repensar a estrutura, porque é difícil mesmo pensar em um negócio que tem que funcionar e, ao mesmo tempo, olhar para a cadeia e pensar numa outra forma de trabalhar com ela. Não dá para a mesma pessoa fazer as duas coisas porque você deixa uma coisa de lado.

Segundo um estudo da Deloitte, de 2021 para 2022 cresceu 36 pontos percentuais o número de empresas que já estão criando um time focado em ESG. Daí a transferir isso para um produto ou para alguma coisa prática, talvez demore um pouquinho, mas o fato de criar uma área já é um movimento, não é? 2024 deve ser o ano do comprometimento e da ação.

Esse chamado à ação tem relação com as diferentes gerações no mercado de trabalho e portanto consumindo?

Outros países têm trabalhado muito mais a geração Z do que o Brasil. Essa é a geração do futuro, a primeira que cresce com pais influenciadores digitais. Os impactos que a internet cria na vida dessas pessoas são muito fortes. Essa é a geração que tem menos previsibilidade de comportamento, tem um pensamento muito independente.

Como se comunicar com esse público?

Dê muitas opções, muito rápido e use muitos influenciadores. Mas de forma que seja real, que não pareça falso. O influenciador tem que se conectar verdadeiramente com essa geração Z, porque a marca pode fazer uma campanha e a geração Z viralizá-la de uma forma completamente diferente do que foi o objetivo da campanha inicial. Na maioria das vezes, não dá para controlar, então você precisa responder de uma forma autêntica.

O caso recente da social media da Stone que, por engano, fez posts pessoais na conta da Stone, durante o Carnaval, é um exemplo…

É um bom exemplo. Vi comentários de que a Stone ficou mais conhecida pelo caso da social mídia do que pelo patrocínio no Big Brother.

Do ponto de vista de gestão, a NRF 2024 trouxe algum aprendizado relevante?

Este ano eles trouxeram uma frase que ficou na minha cabeça. Ela dizia que o sucesso de uma marca, ou o seu sucesso pessoal, está ligado a quantas pessoas você pode ajudar a se tornar bem-sucedidas. E isso diz muito sobre a gestão do time e de como você encara o fator humano. O varejo precisa entender de uma vez por todas que negócios se faz com pessoas e para pessoas. Além disso, outro ponto fundamental: todo mundo tem competidor, todo mundo tem concorrente, independente do tamanho. E por isso a gente sempre tem que olhar para o concorrente como aquele que nos faz crescer porque está ali batendo à nossa porta, chegando perto da gente e fazendo a gente correr mais rápido. Então ele sempre faz você se movimentar.

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