Caio Camargo, especialista em varejo, fala sobre o conceito de communstyle

Quem trabalha pesquisa de varejo já está acostumado a associar uma marca a um estilo de vida. Mas com todas as mudanças na nossa sociedade, será que isso é suficiente? O especialista em varejo e apresentador do Varejocast, Caio Camargo, tem pensado  recentemente sobre o conceito de communstyle, algo novo até para especialistas em pesquisa de mercado, como nós. E é pra falar sobre isso – e sobre mudanças e tecnologia no varejo – que conversamos com o especialista no mais recente episódio do Nos Corredores do Varejo.

Os principais trechos da conversa estão a seguir.

Sobre o que é o conceito do senso de comunidade

A gente está vivendo um contexto de evolução, o mercado é dinâmico, e esse contexto de comunidade tem sido muito utilizado para as empresas para engajar os consumidores muito mais do que apenas no momento da venda. Então, as empresas estão criando comunidades. Por exemplo, uma loja de corrida que se junta com as pessoas para organizar corridas e não só para avisar sobre desconto na loja.

Os impactos desse senso de comunidade para a pesquisa de shopping e varejo

Eu acho que a gente começa a mudar a escola do branding tradicional, onde foram criadas as marcas campeãs de negócio. Elas sempre imaginaram as marcas a partir de uma persona. E a persona é singular. Ela diz: nosso cliente é um homem ou mulher, que tem essa faixa etária, que tem esses hábitos. Ela cria o tal do lifestyle daquela pessoa. E eu acho que a gente tá saindo dessa história e a gente está buscando mais um senso de comunidade.

As marcas estão começando, ou deveriam começar, a se definir, por qualquer comunidade ideal para essa criação. Quem é o meu cliente? Se eu tenho uma loja, um magazine, olhando a família, eu vou olhar não uma persona, mas vou olhar a família, a comunidade dessa família, como essa família se relaciona com outras famílias e como eu posso ser um agente de transformação como marca em meio a esse campo social.

Senso de comunidade na prática

Ele extrapola aquela coisa de criar um grupo no WhatsApp, ou criar um negócio de envio de mensagem. As marcas deveriam se basear na comunidade onde elas estão inseridas. Deveriam se perguntar: O que eu como marca posso criar para essa comunidade? Isso é legal porque além dos valores de relacionamento, de venda, entram os valores sociais dentro do ESG. Como é que eu auxilio aquela comunidade a crescer junto comigo? Isso falando de empresas pequenas, que ainda não têm uma atuação nacional, mas têm uma atuação regional, faz todo o sentido.

Uma marca de moda, por exemplo, que atua em três ou quatro cidades interessantes nos rincões do país, Ali ela pode olhar a comunidade e falar: como é que eu vou me inserir nessa comunidade e fazer essa comunidade prosperar junto comigo? As pessoas vão comprar porque gostam do que eu faço pela comunidade e isso cria um senso diferente. Esse pode ser um caminho para muita empresa e é algo totalmente novo ainda, que pouca gente tem discutido.

Por que fazer pesquisa de mercado e ouvir o cliente é importante

Eu não vejo um jeito de uma marca prosperar se não escutar mais do que querer apenas falar para o cliente. A gente vê as marcas querendo criar comunidades para ficar disparando mensagem, ou seja, sempre jogando para fora, mas escutam muito pouco. E o melhor jeito de você vender hoje é escutar o cliente. O melhor consultor, o melhor conselheiro que você pode ter numa empresa hoje é o teu próprio cliente. Ele vai falar pra você onde você está errando, onde você está acertando, o que você tem que mudar. Então, às vezes, não precisa trazer alguém de fora pra falar isso pra mim. Precisa escutar o cliente da maneira certa.

A entrevista completa você ouve em nossos canais no Spotify ou no Youtube.

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