Como o clima interfere na eficiência dos shoppings

Para entender o impacto do clima na eficiência dos shoppings, Paulo Sérgio Campos, fundador da ConnectMalls, desenvolveu, em parceria com a Climatempo, a ferramenta Fique no Clima do seu Shopping.

Essa ideia inovadora atraiu a Gazit, que decidiu implantar a ferramenta no Internacional Shopping de Guarulhos. E desde então vem colhendo situações e exemplos de como o clima influencia o negócio do shopping.

Para entender melhor essas situações nós conversamos com Paulo Campos e também com Rhuann Destro, gerente geral de marketing e comunicação na Gazit.

A seguir estão os principais trechos dessa conversa, que pode ser ouvida na íntegra em nosso podcast, Nos Corredores do Varejo, no Spotify ou no Youtube.

O que é o Fique no Clima do seu Shopping?

É a ideia de transformar o clima em instrumento de eficiência e de sustentabilidade para os shoppings. Essa história começou há 25 anos, quando eu tive uma visão de criar o primeiro sistema de contagem eletrônica de pessoas. E ao longo do tempo eu fui tentando sempre relacionar essa contagem com o clima, mas eu nunca consegui. Até conhecer o Nil Nunes, do Climatempo, que me apresentou o sistema de monitoramento e alerta do Climatempo.

Esse monitoramento já está sendo implementado há mais de 3 anos pela Vale do Rio Doce, mineradoras, mas nunca tinha sido usado no varejo. Pela primeira vez vai se colocar uma estação meteorológica em shopping com o objetivo de cruzar a movimentação do fluxo de pessoas com o clima. A inovação é porque agora a gente tem uma métrica local. Sensores estão medindo a temperatura, umidade, precipitação no shopping com uma precisão de 90%.

Por que essa solução interessou à Gazit? Vocês viram possibilidades reais de aumentar a eficiência dos shoppings com ela?

Rhuann Destro: A  Gazit Brasil, que administra o Internacional Shopping de Guarulhos, onde a gente colocou essa primeira estação meteorológica, tem shoppings em outros lugares de São Paulo. Então às vezes a gente está fazendo um evento no Morumbi Town, com chuva, mas no Top Center, na Avenida Paulista, não está chovendo. E na meteorologia está como a probabilidade de chuva de 10%, mas em que lugar de São Paulo? Quando eu acabo tendo o dado mais preciso, de que hora é que vai começar a chover naquele meu local, primeiro eu vou pelo olhar do marketing. Por uma questão de previsibilidade de eu evitar mobilizar um evento na área externa, que normalmente são eventos de grande porte, com muito dinheiro investido e que eu não posso cancelar de última hora.

Por exemplo, no ano passado, aqui no Internacional Shopping de Guarulhos, a gente adiantou um pouco a chegada do Papai Noel porque a gente sabia que ia começar a chover. E deu tudo certo.

Fora isso, a gente começou a estudar e ver que se eu consigo saber com antecedência quanto vai ser o clima, temperatura, umidade, podemos calibrar melhor o ar-condicionado e aí a gente começou a apresentar isso para outras áreas. Se eu sei que vai vir uma chuva forte, tem que garantir que não tem folha para varrer, ver se está tudo em ordem para não transbordar nada. Operacionalmente, quando chove pra gente é meio caótico.

Você também consegue prover uma informação mais assertiva para o seu lojista, para ele poder trabalhar uma vitrine. Enfim, a gente começou a ver que tinha muito mais benefícios para dentro da ferramenta.

Eu, como vim também de um viés acadêmico, pensei poxa, um dado assim, específico, muita gente não tem e a gente sabe a importância desses dados. Dados soltos não levam a nada, mas quando você começa a trabalhar e estudar a fundo eles, dá para tirar muita coisa boa aí.

Vocês já estão conseguindo ver ganhos financeiros que demonstrem a eficiência dessa ferramenta para os shoppings?

Rhuann Destro: Sim. Na área de marketing de eu não ter que mudar a data de um evento ou conseguir cravar uma data sem ter que fazer alguma alteração, isso aí já me poupa desperdício. Mas aqui no Inter a gente tem um sistema de IoT e o Fique no Clima do seu Shopping está dentro disso, então tem uma inteligência artificial ali que vai nos ajudando a orientar onde gastar mais energia. Desde que a gente implementou essas várias iniciativas, incluindo a ferramenta, foram 15% de economia de energia elétrica que a gente conseguiu. Imagina o quanto que isso não significa.

Fora a questão também de ganho de experiência do cliente. Você não tem problemas operacionais no shopping por causa de uma tempestade e consegue garantir que a experiência do seu cliente na chegada ao shopping não vai problema.

Como o lojista acessa esse dado?

Rhuann Destro: A gente tem uma intranet onde os lojistas têm toda a comunicação com a administração do shopping. É uma plataforma que ele já usa diariamente, e todos esses dados ficam dentro dessa plataforma também. No aplicativo do shopping também fica essa informação disponível para os nossos clientes.

Essa previsibilidade permite ao lojista ajustar o mix de produto, a sua vitrine, com 15 dias de antecedência.

Para ouvir a entrevista completa e conhecer mais detalhes desse caso de sucesso, acesse nossos canais no Spotify ou no Youtube.

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