Perspectivas para o setor de supermercados

Conheça as particularidades do setor de supermercados no Brasil e para onde ele está mirando

A vasta experiência no mercado de varejo de alimentos, aliada à capacidade de observação e análise de mercado, são alguns dos grandes diferenciais de Marcos Escudeiro. Pensando nisso, convidamos o consultor e palestrante para uma conversa sobre os rumos dos supermercados no Brasil

A evolução dos supermercados

Um formato que se aproxima dos atacarejos brasileiros e que já está presente nos EUA e na Europa há bastante tempo é o de “hard discount”, onde o foco é o preço. Esse modelo vem crescendo e atraindo cada vez mais clientes. Isso porque, no fim do dia, o consumidor precisa administrar seu salário e acaba optando sempre pelo melhor custo x benefício. E é natural que esse comportamento se intensifique nos momentos em que o consumidor perde seu poder de compra – como estamos vivendo atualmente.

Mas os atacarejos não são novidade nos supermercados brasileiros. Esse formato de loja surgiu nos anos 80, quando o consumidor se reunia com várias famílias e iam, por exemplo, ao Makro, para dividir as compras. “Os atacadistas perceberam esse movimento e começaram a tornar a loja mais acessível ao consumidor, com a história dos dois preços”, explica. Ele se refere às etiquetas de preço no atacado e no varejo.

Mas existem algumas diferenças quando comparamos o modelo de “hard discount” com os atacarejos brasileiros. Um exemplo é a quantidade de itens em linha. Nos EUA, por exemplo, o Costco tinha em linha, no ano passado, 3.621 itens. Enquanto no Brasil, lojas de atacarejo chegam a ter 20.000 itens. “Isso acontece porque o cliente brasileiro pede variedade, então o varejista faz, mas acaba precisando aumentar o seu custo”, analisa Escudeiro.

Troca de marcas

Essa maior variedade de itens nas prateleiras dos supermercados pode acabar ajudando o consumidor em momentos de crise e alta da inflação, como o que estamos vivendo.

A Fronte realizou um estudo exclusivo (Como o consumidor brasileiro tem enfrentado a crise) sobre as mudanças no hábito de compra dos consumidores nos supermercados, e um dos destaques é que eles estão trocando de marca para economizar. Nesse contexto, quanto maior a variedade de itens e marcas disponíveis nas prateleiras,, maior poder de decisão para o consumidor.

 “Alguns produtos, como arroz e feijão, depois de prontos, não apresentam muita diferença entre as marcas. Isso faz com que seja muito mais fácil a troca”, pondera Escudeiro.

Visitas ao supermercado

O estudo ainda mostra que 41% dos consumidores passaram a concentrar as compras no início do mês, para aproveitar o salário. Mas, ao mesmo tempo, houve uma diluição das compras, com as pessoas indo várias vezes ao supermercado. “As pessoas que estão no mercado de trabalho informal não têm data certa para o dinheiro entrar”, explica Fabio Caldas, sócio da Fronte.

“Nos últimos anos, a frequência de compra no atacarejo está sendo mais alta do que em supermercado, cerca de 4 a 5 vezes por semana. Isso se dá principalmente por causa dos perecíveis”, finaliza Escudeiro.

Prefere ouvir essa conversa? Acesse o nosso podcast “Nos Corredores do Varejo”.

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