3 aprendizados sobre o comportamento do consumidor na crise

Foto de Juliana Piai

Juliana Piai

Sócia da Fronte Pesquisa

Durante os últimos meses estivemos muito atentos, aqui na Fronte, aos movimentos no comportamento do consumidor durante a crise causada pela pandemia de Covid-19. Como ele estava reagindo ao momento da pandemia (que antes era novidade, mas agora já se tornou parte da rotina)? Como suas relações de consumo mudaram.

O consumidor e o medo

O primeiro aprendizado que quero compartilhar com vocês é sobre a palavra MEDO. Na história recente do país, poucas vezes estivemos numa relação tão íntima com o MEDO. Essa está presente no sentimento e no comportamento do consumidor nesta crise.

Uma parcela deles tem medo de sair de casa, de ir a shopping, de voltar para a escola ou ir ao supermercado. E eu me incluo aqui também! Na atual situação, qualquer ambiente causa receio nas pessoas.

Apesar do medo, o consumidor não paralisa

Com isso, trago um segundo aprendizado: nos estudos que fizemos também ficou claro que este sentimento NÃO PARALISA O CONSUMIDOR POR INTEIRO. Ou seja, o consumidor segue sua vida, mesmo com medo.

Na relação com os shoppings, isso fica ainda mais evidente: quando as reaberturas acontecem, as pessoas voltam. Cada um no seu tempo, no seu ritmo, mas voltam.

Relação emocional

Nosso terceiro aprendizado você certamente já conhece: a relação entre shopping e consumidor é EXTREMAMENTE EMOCIONAL.

Os shoppings construíram uma relação íntima com as pessoas e essa relação precisa ser alimentada. Isso significa que se o consumidor não pode ir ao shopping, o shopping precisa ir até ele. As iniciativas que têm sido realizadas até hoje devem permanecer. A mudança para o comportamento online, sobre a qual tanto falamos, veio para ficar. Mas ela não substitui o hábito da visita, ela o complementa. Afinal, como também já dissemos muitas vezes por aqui, o consumidor tem uma relação com o shopping que ultrapassa apenas o “consumir”. Está ligada ao entretenimento, à construção de relações.

Quando analisar o comportamento do consumidor na crise é preciso ter paciência e entender o tempo de cada um. Respeitar o momento, as inseguranças e as dúvidas do consumidor têm um enorme efeito. O consumidor precisa se sentir acolhido, abraçado, para que, aos poucos, volte aos comportamentos tradicionais de antes da pandemia.

Enquanto vivermos este cenário de incertezas quanto à saúde, certamente teremos grandes impactos no varejo. A única forma de sobrevivermos a este período é estarmos atentos e nos fazermos presentes (ainda que, paradoxalmente, de forma virtual). O consumidor, embora tenha mudado, continua o mesmo.

Outras notícias do blog da Fronte