O travamento de um dia no ecossistema Facebook, agora Meta, deixou claro que o varejo não deve depositar todos os seus ovos em um único cesto.
O mundo moderno pode ser traduzido em uma simples palavra: facilidade. A tecnologia se tornou cada vez mais acessível e fundamental no dia a dia dos varejistas – fato acelerado pela pandemia – abrindo um leque de grandes oportunidades. Cada vez mais os lojistas conseguem aumentar seu alcance e atingir um público, muitas vezes, inimaginável.
Através das inúmeras plataformas de conexão B2C disponíveis, é possível construir seu próprio site institucional ou e-commerce, aceitar novas formas de pagamento, divulgar produtos em Marketplaces… Tudo a apenas um clique de distância. “Para ter acesso a esse mundo digital não são necessários grandes investimentos, tampouco, aprofundamento técnico. Hoje, todos têm um lugar ao sol”, diz Edson Dias, sócio responsável pela área de Tecnologia e Inovação da Fronte.
Mas nem tudo são flores. Existe uma relação de dependência com essas ferramentas que pode ser muito prejudicial, especialmente para os varejistas que direcionam toda a sua jornada de comunicação e vendas apenas para esses aplicativos.
A pane do Facebook e os seus impactos
No começo de outubro, uma falha técnica tirou do ar, por cerca de 6 horas, algumas das principais plataformas online usadas por muitos varejistas brasileiros: Facebook, WhatsApp e Instagram. Em relação ao impacto econômico, somente no Brasil, cálculos feitos por uma ferramenta da NetBlocks estimam que o prejuízo tenha sido de aproximadamente R$ 130 milhões.
As ações do Facebook na Nasdaq também foram afetadas. Houve uma queda de 4,89%, causando perdas estimadas em US$ 6 bilhões para o conglomerado, de acordo com informações da Bloomberg.
Somados a isso, estão os clientes. Não podemos esquecer que a experiência do cliente está em toda a jornada de compra, incluindo a navegação no site, o uso de aplicativos e em todo tipo de contato até a conclusão da compra ou mesmo depois. Em outras palavras, o reflexo negativo da pane não foi apenas financeiro, mas também para a imagem das marcas.
Porque diversificar?
Com a pane do Facebook, ficou em evidência uma antiga discussão sobre a existência de monopólios. Margrethe Vestager, comissária da UE responsável pelas regras conhecidas como Digital Markets Act (lista do que as big techs podem ou não fazer na Europa), foi enfática: “Precisamos de alternativas e opções no mercado de tecnologia para não depender apenas de alguns grandes grupos, sejam eles quem for”.
Esse é um assunto que ainda vai longe. Mas, por hora, nossa sugestão é que você faça um mapeamento de cada parte da operação da sua loja, identificando tudo o que é vital e crítico, e tenha opções. Por exemplo:
- Estrutura da loja: física e online.
- Operador de logística: Correios e transportadora.
- Conexão de internet: Vivo e Claro.
- Marketplace: Amazon e Mercado Livre.
- Infraestrutura de TI: própria e nuvem.
- Canais de comunicação: WhatsApp e Telegram.
Assim, quando algo falhar, você terá a possibilidade de escolher outro caminho. A Lei de Murphy diz: “Se algo pode dar errado, vai dar errado”, então, esteja sempre preparado!
Conte pra gente: seu negócio também foi afetado pela instabilidade do Facebook?