Falamos neste post (não deixe de conferir) sobre como o estudo de potencial de crescimento é um seguro para quem está pensando em investir em um novo shopping ou, até mesmo, expandir seus negócios. Agora, Fabio Caldas, sócio da Fronte, responde algumas perguntas sobre as mudanças percebidas no comportamento do consumidor e os impactos da pandemia para o varejo. Confira!
A pandemia mudou a forma de pesquisar potencial de novos negócios?
“A pandemia afetou bastante nosso trabalho de elaboração de estudos de potencial, assim como todos os setores da economia foram atingidos. O principal ponto que sentimos foi a mudança no deslocamento do consumidor. E isso foi pior em cidades maiores. Como tinha muita gente trabalhando em casa, as aulas acontecendo online também, havia uma condição de trânsito muito melhor que poderia mascarar os problemas de deslocamento que pudessem existir em determinada localização.”
E como vocês sanaram esse problema?
“A solução foi cruzar informações de campo com os históricos que acumulamos ao longo do tempo e utilizar simuladores via software. Tivemos que ter um olhar muito mais crítico para os dados que vinham do campo e, lógico, sempre deixando o cliente muito consciente de que os dados poderiam ter sido afetados pela mudança no trânsito.”
O crescimento do e-commerce prejudicou o varejo na abertura de novas lojas?
“Acho que ainda é muito cedo para olharmos para a mudança de hábito do consumidor e fazer uma relação direta com o varejo online. Primeiro porque a gente tem que esperar para entender se o cliente que comprou em uma loja online durante a pandemia realmente gostou daquilo. Acho que não chegamos ainda nesse momento. Eu prefiro esperar um pouco para ter certeza.
O grande problema para as lojas físicas não foi a digitalização, mas sim, os impactos diretos da pandemia: fechamento de lojas e adequação das formas de entrega, o que fez muitos precisarem fechar.”
Vocês perceberam esse êxodo grande de pessoas para cidades do interior/litorâneas nas pesquisas?
“Essa mudança para o interior realmente aconteceu e acho que o Censo, que está previsto para acontecer esse ano, deve mostrar as cidades do interior com crescimento maior e as capitais sofrendo um pouco, principalmente SP e Grande SP.
As pessoas viram que era possível se mudar para o interior/litoral com o home-office. É interessante olharmos para isso, porque o interior costuma ter um custo de vida um pouco menor do que a capital.”
O que muda para o varejo?
“A pessoa que tem uma renda para viver na capital, mas com custo de vida de interior, tem espaço maior para gastar com compras. Ela passa a gastar menos com combustível e com a escola das crianças, que normalmente no interior é mais barata, por exemplo. Isso facilita um aumento nas compras, mas em um prazo mais longo. O problema é que muita gente ainda está colocando a cabeça para fora d’água por causa dos problemas que a pandemia trouxe.”
E a distribuição das lojas e shoppings no Brasil foi impactada?
“Também ainda é muito cedo para dizer. O varejo hoje não está com fôlego para fazer grandes processos de abertura de lojas, mas acho que algumas cidades e alguns shoppings de interior serão beneficiados. Quem abriu shopping em ponto ruim, em uma cidade que não estava pronta para receber um shopping, vai continuar sofrendo; mas quem abriu em um lugar que já fazia sentido, pode melhorar no aspecto de queda de vacância. Não acho que será nada drástico, mas pode ser um fator que ajude a melhorar, sim.”
Com o fortalecimento do trabalho remoto, haverá mudanças na localização de shoppings e lojas?
“Não acho que essa mudança causada pela pandemia vai afetar tanto a localização dos shoppings assim. Já é natural que os novos shoppings nasçam um pouco mais afastados do centro, em bairros mais residenciais, ou nas bordas das cidades, esperando o seu crescimento. Mas isso porque o empreendedor não consegue mais encontrar terrenos perto dos centros, no porte ou com preço que viabilizem a construção. Isso já era esperado.”
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