Varejo é a nossa especialidade e pesquisar o varejo envolve ouvir opiniões e expectativas de consumidores e profissionais da área. Por isso, não podíamos começar 2024 sem ouvir 3 profissionais de varejo que respeitamos muito. A seguir, eles nos contam suas expectativas para o varejo em 2024.
Laureane Cavalcanti, fundadora da DeepDive Inovação Estratégica
“Se o varejo continuar se reinventando e incrementar, de forma estruturada, a omnicanalidade, vejo potencial de crescimento. Mudanças de comportamento e aumento de consumidores das novas gerações precisam ser levadas em conta. E a evolução das ferramentas digitais e da tecnologia, de uma forma geral, precisa ser bem aproveitada para oferecer melhores experiências aos clientes.
Sempre acho que o excesso de novas tendências distrai o varejo do seu foco. Acredito que, se os varejistas permanecerem focados em se transformar digitalmente e investirem em omnicanalidade de forma consistente e sem distrações, os resultados aparecerão. E em todas as frentes: cultura, pessoas, negócios, parcerias, inovação, processos. Gerando, assim, mais valor para a vida e a jornada de compras das pessoas e para o próprio negócio.”
Ricardo Pastore, professor da ESPM
“Em 2024, assim como foi em 2023, não poderemos generalizar o varejo. Alguns setores continuarão a sofrer fortes ajustes, enquanto outros continuarão a crescer. Destaque para varejistas regionais que se beneficiarão principalmente do bom desempenho do agronegócio. A taxa Selic vai continuar caindo, mas vai estacionar entre 9% e 10%, portanto não teremos grande euforia. Pelo contrário, é provável que tenhamos um ambiente mais estável, ideal para quem fez a lição e garante ‘um básico bem feito’.
As inovações continuarão a oferecer oportunidades aos varejistas para, de um lado, buscarem eficiência e produtividade. De outro, a ampliação de mercado por meio de novos canais e estratégias omnichannel.
Os clientes utilizarão cada vez mais a Inteligência Artificial, que será capaz de influenciar mudanças de comportamento de compra. Teremos um cliente mais atendo às questões ESG, ambientais e sociais, principalmente. A polarização vai se acentuar, portanto teremos problemas sociais e todos nós seremos cobrados a acolher os mais necessitados.”
Richard Svartman, diretor de digital da Multiplan.
“Estamos otimistas em relação ao crescimento do varejo no próximo ano. E os shoppings estão se adaptando e inovando para se destacar no mercado pós-pandemia. A estratégia de integrar diferentes públicos e oferecer uma variedade de espaços relacionados a entretenimento, lazer e gastronomia tem o intuito de atrair diversas faixas etárias e interesses. Acreditamos em uma tendência clara e duradoura: após a pandemia, a valorização da convivência e das experiências voltou com tudo.
Ao mesmo tempo, há outra tendência em ação: a tecnologia continua a se inserir no dia a dia das pessoas. As pessoas hoje esperam nível de serviço e facilidades possibilitadas pelo digital em mais momentos de seu dia-a-dia. Em resposta a isso, colocamos ênfase em inovação e tecnologia aqui na Multiplan. O resultados são evidenciados pelo crescimento do aplicativo Multi, que já atingiu a marca de 5 milhões de download acumulados. Isso mostra o reconhecimento da importância de uma presença digital para complementar a experiência física do shopping e nosso investimento nisso. Hoje buscamos relacionamento direto com o cliente não só durante sua visita ao shopping, mas também antes e depois, inclusive.
À medida que continuamos a explorar oportunidades de crescimento, mantemos uma abordagem centrada no cliente. Isso significa adaptar-se continuamente às mudanças nas preferências e comportamentos do consumidor. Além disso, o monitoramento constante do desempenho do aplicativo e a busca por feedback dos usuários, nos ajudam a direcionar ainda mais a experiência digital.”