NRF 2025: O que o varejo precisa saber sobre a Geração “Zalpha”? 

Em entrevista exclusiva para a quarta temporada do podcast Nos Corredores do Varejo, Ana Paula Tozzi, CEO da AGR Consultores, revela as tendências e insights da NRF 2025, o maior evento de varejo do mundo, com foco na Geração “Zalpha” e na adaptação das lojas físicas para o futuro. A seguir, os principais trechos dessa entrevista, que pode ser ouvida na íntegra no Spotify, ou assistida no Youtube.

Quem é a Geração “Zalpha” e o que a diferencia da Geração Z? 

A Geração “Zalpha” é uma fusão da Geração Z com a Geração Alpha. Mas há diferenças. Enquanto a geração Z é conhecida por sua “bipolaridade” (consumo consciente e compras em massa online), a geração Alpha éd 100% digital, valoriza a hiperpersonalização e a IA como algo natural. Buscam experiências disruptivas no varejo, indo além do atendimento tradicional. 

Pelo que trouxe a NRF 2025, como o varejo pode se adaptar para atender a essa nova demanda? 

É crucial observar e se aproximar dessa geração. As lojas físicas precisam oferecer experiências imersivas e sensoriais, usando realidade aumentada e telas para transportar o consumidor para outros mundos. O foco deve ser em tirar as pessoas do tédio e proporcionar escapismo, com experiências culturais que enriqueçam a conexão humana com a marca. 

O que as lojas físicas não podem fazer se não quiserem espantar o consumidor? 
  1. Atendimento ruim: A má recepção é um erro crucial. A cultura do bom atendimento, que começa com o cuidado com a equipe, é fundamental. 
  1. Lojas padronizadas: O modelo tradicional de loja, com grande volume de produtos, não atrai mais. A loja física precisa ser diferente da loja online. 
  1. Falta de personalização: A loja física deve ser um ponto de contato para coletar dados e oferecer hiperpersonalização, com experiências que façam o consumidor se sentir especial. 
Como o varejo pode usar dados e inteligência artificial (IA) de forma eficiente, de acordo com a NRF 2025? 

A IA está sendo usada para criar chatbots personalizados e otimizar operações, como em centros de distribuição. A hiperpersonalização, que exige dados bem estruturados, é o futuro do varejo. No Brasil, o varejo farmacêutico se destaca no uso de dados e IA, enquanto o setor de vestuário ainda tem muito a evoluir. 

Qual o maior desafio para o varejo brasileiro em relação ao uso de dados e IA? 

A rastreabilidade do consumidor é o maior desafio. É preciso investir em mecanismos criativos para identificar o consumidor e coletar dados sobre suas compras e preferências. 

Qual é o futuro da NRF?

A NRF continua sendo o maior evento de varejo do mundo, se adaptando às novas gerações e apresentando as últimas tendências e inovações. A edição de 2025 foi marcada pela discussão da execução da IA e pela valorização da experiência do consumidor na loja física. 

Tendências de consumo em 2025

Para quem está sempre em busca das últimas tendências de consumo, estudo recente do Euromonitor trouxe alguns insights sobre a relação entre marcas e consumidores neste ano. De modo geral, ele tem ficado mais pragmático nas compras, buscado qualidade de vida e comodidade. O estudo mostra, por exemplo, que no mundo, 67% dos consumidores procuraram por produtos que simplificassem suas vidas.

Resumimos aqui tudo o que você precisa saber sobre essas tendências de consumo em 2025.

Envelhecimento com qualidade de vida

As pessoas querem viver mais e melhor. E para isso investem em apps e tratamentos que previnem ou ajudam a lidar melhor com sintomas do envelhecimento. No Brasil, por exemplo, 67,7% dos brasileiros acreditam que em cinco anos terão mais saúde do que atualmente

Consumo consciente

O consumidor tem feito compras mais estratégicas e 44,2% priorizam a qualidade em relação à quantidade, preferindo ter menos produtos, mas que tenham algum benefício a longo prazo. 72% dos consumidores no mundo estão preocupados com o aumento dos preços de produtos do dia-a-dia.

Comunicação mais clara com o consumidor

Para lidar com o excesso de informação, o consumidor busca simplificação. No Brasil, 30.9% dos brasileiros dizem que procuram produtos com rótulos fáceis de entender e 43% compram produtos durante lives porque entendem melhor os detalhes do produto nesse canal.

IA à prova

52% confiam em assistentes de voz para acessar informações personalizadas e receber recomendações de produtos, mas apenas 17% sentem-se confortáveis com o uso de boots.

Sustentabilidade pragmática

Os consumidores têm buscado por produtos com impacto ambiental positivo mas que também sejam adequados aos seus valores e necessidades pessoais. Buscam conveniência, dentro do seu estilo de vida, e durabilidade. Apenas 15% dos consumidores no mundo se dizem dispostos a pagar mais por produtos eco-friendly.

Fonte: Top Consumer Trends 2025, Euromonitor.

Decifrando as gerações Alpha e Z

A geração Alpha, junto com a Z, já representa uma parcela significativa da população. E, até 2030, as duas representarão 50% dos consumidores globais. Mas eles já influenciam o consumo das famílias no presente. Então, o quanto antes as empresas entenderem suas características, necessidades e expectativas, mais rápido conseguirão criar uma conexão genuína com essas pessoas.

Mas antes de falar de consumo, a gente precisa entender quem eles são.

Geração Z

  • Nascidos a partir de meados dos anos 1990 até 2009.
  • Cresceram familiarizados com dispositivos móveis.
  • Geração multicultural, globalmente conectada, com mentalidade mais inclusiva e progressista.
  • Buscam aprendizado constante e crescimento.
  • Têm relação mais consciente com o consumo.
  • Perfil criativo, inovador e mais colaborativo.

Geração Alpha

  • Nascidos entre 2010 e 2025.
  • Hiperconectados: a tecnologia é constante na vida dessa geração.
  • Crianças mais independentes e adaptáveis às inovações tecnológicas.
  • Costumam ter pais mais velhos (porém mais presentes) e famílias menores.
  • São questionadores, rápidos, multifuncionais e flexíveis.
  • Para eles, não existe diferença entre mundo físico e virtual.
  • Tecnologia está incorporada ao processo de consumo e preferem marcas mais sustentáveis.

Mesmo ainda não tendo renda própria, essas duas gerações já influenciam o consumo das suas famílias. Isso porque isso porque suas opiniões e necessidades impactam as decisões de compra, inclusive de bens duráveis, como carros.

Mas o que as marcas precisam saber para lidar melhor com a geração alpha?

Segundo Beia Carvalho, presidente da Five Years From Now e palestrante futurista, em depoimento para a Revista Shopping Center: “Enquanto a geração Y gasta, a Z economiza. E os mais velhos da alpha, hoje com 12 anos, parecem viver em um mundo que vai acabar, que é mais finito do que nunca”

Guga Schifino, head of digital na DX.CO – grupo 4all e sócio e curador da FFX, também em entrevista para a Revista Shopping Center, lembrou que 97% dos alfas são influenciados pelas redes sociais, segundo.

E como para eles, a fronteira entre mundo on e off-line praticamente inexiste, o desafio para as marcas é integrarem de forma cada vez mais fluida os ambientes da loja física e do e-commerce.

O que é possível fazer já para se aproximar da geração alpha?

  • Conhecer a fundo: pesquisar, para entender as necessidades, os valores e as expectativas de cada geração.
  • Investir em tecnologia: oferecer experiências digitais e físicas integradas, diminuindo atritos e unificando a cultura da marca em qualquer plataforma.
  • Priorizar a sustentabilidade: se comprometer o futuro do planeta e da nossa sociedade.

#geracaoz #geracaoalpha #consumo #futurodoconsumo #marketing #frontepesquisa #pesquisademercado #pesquisadevarejo #pesquisadeshopping #geracaoalfa

Varejo de luxo enfrenta crise pelo mundo

Apesar do varejo de luxo ter um bom desempenho no Brasil, a situação no exterior é diferente. Informações divulgadas recentemente mostram que ao redor do mundo, com exceção da Hermès, grandes marcas de luxo têm enfrentado dificuldades. Segundo dados, 50 milhões de consumidores deixaram de comprar de marcas de luxo recentemente.

Por que o varejo de luxo tem perdido consumidores

Uma das razões para a queda de consumidores de produtos de luxo no mundo é o aumento de preços. Essas marcas cobram hoje 60% mais do que cobravam em 2019, segundo análise do HSBC. Mas o consumidor não percebe mudanças ou inovações que justifiquem esse aumento, como inovação nas marcas, melhoria na qualidade dos produtos ou maior percepção de exclusividade.

Outro fator é uma mudança no perfil do consumidor. Depois da pandemia, as pessoas têm preferido investir seu dinheiro no mercado financeiro ao invés de gastar em itens de luxo. A geração Z também tem sido apontada como pivô da situação, já que os mais jovens têm preferido gastar em experiências de luxo, não em objetos.

Por fim, alguns analistas apontam ainda um problema de estratégia. Algumas dessas as marcas criaram categorias de produtos mais acessíveis e atraíram consumidores em uma situação financeira confortável mas não super ricos. Eles consomem cosméticos e pequenas bolsas, por exemplo.

Essa “popularização”, somada ao fato de que as redes sociais evidenciam ainda mais o acesso dos influenciadores às marcas, vai no sentido contrário do fator exclusividade, decisivo no caso de produtos de luxo. E isso estaria afastando alguns perfis de clientes.

Chegou a hora de voltarmos a falar sobre expansão no varejo ?

Foto de Fabio Caldas

Fabio Caldas

Sócio da Fronte Pesquisa

Falar de expansão do varejo no Brasil é difícil porque o país passa por crises de tempos em tempos, isso não é novidade nenhuma. E a próxima crise já está contratada para quem vive o varejo. Pode ser política, econômica, de confiança, nacional ou internacional. Tanto faz. O que importa é que o varejo já sabe que a próxima virá.

A crise de 2014/2015 pegou o setor de shopping em um grande momento de expansão do varejo. O número de inaugurações, projetos em desenvolvimento e em crescimento estava muito acelerado. Costumo comentar que no início da década de 2010, ainda nos tempos de IBOPE Inteligência, chegávamos a estudar mais de 100 possíveis terrenos para novos shoppings por ano – um volume altíssimo.

O mesmo acontecia para outros setores, como supermercado, home centers e as âncoras de moda. Mas essa expansão do varejo foi freada em 2014 e o país enfrentou dois anos de recessão, com quedas do PIB superiores a 3%, que causaram forte impacto no desenvolvimento do varejo.

Os anos 2017 a 2019 foram de crescimento lento, mas com alguma esperança de recuperação. Afinal, havíamos parado de cair. Mas então vem a pandemia e aprofunda o buraco do qual o varejo tanto lutava para sair.

Finalmente os últimos dois anos (2023-2024) começam a mostrar sinais de evolução importantes: Recuperação do PIB, com dois anos seguidos de crescimento acima de 3%; desemprego em queda, renda com crescimento real e inflação controlada. Dados da ABRASCE e CNC mostram resultados positivos nas vendas do Natal de 2024.

Tudo isso levanta a pergunta: estamos presenciando o início de um novo ciclo de expansão do varejo nacional? Será que veremos uma aceleração da abertura de novas lojas?

Acredito que antes de pensarmos em expansão do varejo e, em especial, dos shoppings, temos que observar o que acontecerá com as redes varejistas, principalmente a ocupação da área vaga nos shoppings que abriram durante a segunda metade da última década. Agora será o momento da divisão entre bons projetos que foram prejudicados pelas derrapadas econômicas e outros que não deveriam ter sido construídos. A partir dessa depuração, as oportunidades para novos lançamentos serão mais claras, mas dificilmente veremos números como os do início da década passada.

Há razões, entretanto, para otimismo. Apesar do ritmo tender a ser mais lento, todos os sinais apontam para a retomada do crescimento. Veremos projetos diferentes, mais investimento em multiuso, pequenos centros comerciais ou outlets.

O ponto de atenção para expansão do varejo deve ser o custo dos terrenos e a falta de grandes áreas em boas localizações, fatores limitantes para novos investimentos.

De qualquer forma, acredito que estamos iniciando uma nova onda de investimentos e, como sempre, terá melhores resultados quem sair na frente.

10 tendências de varejo para 2025 

Novo ano, hora de revisar a lista de tendências de varejo, certo? As previsões para 2025 trazem poucas mudanças bruscas e muito aprofundamento de movimentos que já vêm se desenhando há alguns anos. 

Por exemplo: o avanço da tecnologia e as mudanças climáticas trazem à tona a preocupação com a sustentabilidade e com o papel das marcas nesse novo mundo. 

Neste post, vamos explorar as principais tendências que irão moldar o varejo em 2025, desde a hiperpersonalização da experiência de compra até o fim da abundância e a preocupação com consumo circular. 

1. Comércio subconsciente e concierge de compras 

A tecnologia está cada vez mais presente nas nossas vidas. E naturalmente, uma das tendências de varejo é o uso de inteligência artificial para decodificar dados e prever, cada vez mais rapidamente, as necessidades dos consumidores, oferecendo produtos personalizados e se antecipando a demandas com base em comportamentos passados. Com o comércio subconsciente, as marcas poderão analisar o comportamento de compra dos clientes e oferecer produtos que se adequem aos seus interesses e preferências. 

Além disso, o conceito de concierge de compras está se tornando cada vez mais popular. Sabe a figura dos conscierges nos hoteis, que estão ali para proporcionar uma experiência cada vez melhor aos hóspedes? O conscierge de compras funciona mais ou menos da mesma forma. Com a ajuda de assistentes virtuais, os consumidores poderão receber recomendações personalizadas de produtos, agendar entregas e solicitar serviços de personalização. 

Isso mostra que a coleta e análise de dados se tornaram essenciais para as marcas entenderem o comportamento do consumidor e aprimorarem suas estratégias de marketing e vendas. Os dados permitem identificar padrões de consumo, prever demandas e oferecer produtos e promoções mais relevantes para o público-alvo. 

2. Consciência sobre o fim da abundância 

Com o esgotamento dos recursos naturais e a crescente conscientização sobre o impacto ambiental, uma das tendências de varejo é as marcas buscarem alternativas mais sustentáveis para seus produtos e processos. Nesse contexto, um movimento que já vem ganhando corpo há alguns anos é a economia circular, que visa reduzir o desperdício e promover a reutilização e a reciclagem de materiais.  Esse assunto já foi tema pelo menos das duas últimas edições da NRF e mostra o quanto é determinante que as marcas não só invistam em embalagens sustentáveis, mas também cuidem de toda a sua cadeia de produção, incluindo logística reversa para devolução de produtos e oferecendo opções de conserto e reparo. 

3. Redes sociais como canais de venda 

As redes sociais se tornaram uma importante plataforma de comunicação e interação entre marcas e consumidores. Além de serem usadas para divulgar produtos e serviços, funcionando como uma espécie de vitrine das lojas, Instagram e Tik Tok têm ganhado importância e relevância como canais de venda. 

Vale, então, rever as estratégias de social commerce, com a criação de lojas virtuais dentro das redes sociais e a integração de plataformas de pagamento. Além disso, o uso de influenciadores digitais e do chamado UGC – user generated content – para promover produtos e serviços tem se mostrado uma estratégia eficaz para conversão das interações e do engajamento em vendas efetivamente. 

4. Collabs inovadoras 

As parcerias entre marcas de diferentes setores estão se tornando uma das tendências de varejo deste ano. Essas colaborações, conhecidas como collabs, permitem que as marcas alcancem um público mais amplo e ofereçam produtos e serviços inovadores. 

Por exemplo, uma marca de roupas pode se associar a uma marca de tecnologia para desenvolver roupas inteligentes. Ou uma marca de alimentos pode se associar a uma marca de cosméticos para criar produtos com ingredientes naturais. 

5. Economia indoor e aquecimento global 

Com o aumento das temperaturas e a preocupação com o aquecimento global, o comércio indoor está se tornando cada vez mais popular. As marcas estão investindo em espaços climatizados e confortáveis, oferecendo uma experiência de compra agradável e memorável, independente do clima. 

6. Novas ferramentas de busca visual 

As novas tecnologias estão mudando a forma como os consumidores pesquisam e compram produtos, já que ferramentas de busca visual permitem que os consumidores encontrem produtos semelhantes a partir de uma imagem ou de um objeto físico. 

Uma das tendências de varejo é essa tecnologia sendo usada para encontrar roupas, móveis, decoração e outros produtos. As marcas precisam se adaptar a essas novas formas de busca e oferecer produtos que sejam facilmente encontrados por meio dessas ferramentas. 

7. Clubes de assinatura 

Os clubes de assinatura estão se tornando cada vez mais populares, com consumidores pagando uma taxa mensal ou anual para receber produtos ou serviços regularmente. Eles podem ser uma ótima opção para as marcas que desejam criar um relacionamento mais próximo com seus clientes e oferecer produtos exclusivos e personalizados – além de ter uma receita mais previsível. 

8. IA para gestão de estoque, precificação e adaptação de estratégias de marketing 

Outras das tendências de varejo é a inteligência artificial sendo usada para otimizar a gestão de estoque, definir melhor o preço dos produtos e orientar estratégias de marketing em tempo real. É um movimento que já vem se desenvolvendo há alguns anos e deve ser cada vez mais aprimorado.  

9. Realidade virtual para testar móveis ou decoração em casa 

A realidade virtual está se tornando uma ferramenta cada vez mais popular para as marcas por permitir que os consumidores testem produtos em casa antes de comprá-los. É possível, por exemplo. visualizar como um móvel ficaria em sua sala de estar ou como uma pintura ficaria em sua parede. As marcas de tintas já fazem isso há algum tempo e cada vez mais indústrias devem aderir a essa tecnologia. 

10. Ascensão do varejo hiperlocal 

Com o aumento do custo de vida e a preocupação com a poluição, os consumidores estão buscando opções de compra mais próximas de casa. O varejo hiperlocal é outra das tendências de varejo pois está se tornando cada vez mais popular, com as marcas oferecendo produtos e serviços em lojas físicas e online em comunidades locais. 

As marcas precisam se adaptar a essa tendência e investir em estratégias de marketing e distribuição que atendam às necessidades dos consumidores locais. 

Fonte para boa parte das tendências: relatório WGSN.

Quer entender melhor como essas tendências se relacionam com o seu público? Entre em contato com a Fronte.