A gente sempre percebe, por meio das pesquisas para shopping que fazemos aqui na Fronte Pesquisa, que encantar o cliente é fator determinante para o sucesso de uma marca. E a Biscoitê é um exemplo prático disso.
Desde o início, a marca se dedicou a encantar os clientes e a criar uma experiência única. No podcast Nos Corredores Do Varejo, Fabio Caldas, sócio da Fronte Pesquisa, conversa com Raul Matos, CEO e fundador da Biscoitê. Ele revela como a marca se tornou referência no mercado de biscoitos, inspirando outros empreendedores a buscarem um propósito maior em seus negócios.
A seguir estão os principais trechos dessa entrevista, que você ouve na íntegra em nosso podcast, no Spotify ou no Youtube.
Como nasceu a Biscoitê?
Raul: Eu era um dos 3 sócios de uma indústria de cookies, que era uma das maiores fábricas de cookies do Brasil. E a ideia da Biscoitê nasceu porque a gente inovava muito para as grandes marcas (Nestlé, Unilever, McDonald’s, Cacau Show, Kopenhagen, Taek, Oreo) e exportava para mais de uma dezena de países. Nosso negócio era entender as marcas e ver quais eram os passos que elas tinham que dar para o lançamento de produtos, fazer o desenvolvimento do produto, a formulação, a produção e a entrega para a empresa, no país que ela quisesse. A gente via que o mercado de biscoito era um mercado gigantesco, fora e aqui dentro. E que no Brasil, apesar de o Brasil chegar a ser o segundo maior mercado de biscoito do mundo, não tinha alto valor agregado. Aí a gente resolveu, literalmente, criar uma categoria de biscoitos de alto valor agregado, porque a gente via que tinha um espaço gigantesco, que era um espaço muito difícil de ser conquistado, porque era uma história completamente diferente vender biscoito para presente. A gente acreditava que tinha muito valor ali, porque era um presente incrível, uma conexão muito emocional com as pessoas.
Aqui na Fronte Pesquisa trabalhamos principalmente com pesquisa para shopping, então precisamos perguntar: Por que a decisão de ir para shopping e não começar, por exemplo, com alguns pontos de rua?
Raul: Desde o começo a gente queria shopping, mas o shopping não queria a gente. A gente marcava reunião para contar nossa ideia, vender biscoito para presente, embalagens lindas, e todo mundo dizia: isso não funciona, ninguém vai comprar. E não deixavam a gente alugar os pontos. A gente ficou meses para conseguir ter a chance de pagar um aluguel. E por que a gente queria shopping mesmo eles não querendo a gente? Porque a gente achava que começando pelo shopping AB, a gente conseguiria ter um fluxo das pessoas e teria a chance de contar essa história. E levar o fluxo até uma loja de rua seria muito mais difícil. Então, em as pessoas estando no shopping, como o conceito era um conceito completamente novo, eu aproveitava aquele fluxo e quando a pessoa passasse pelas nossas lojas, a gente podia fazer uma degustação, contar uma história e encantar essa pessoa com tudo o que a gente tem de maravilhoso, que ela não estava esperando.
Como foi esse salto de uma empresa familiar, com você e sua esposa literalmente servindo café na primeira loja, para uma franquia?
Raul: Não teve esse salto. Desde a concepção do negócio a gente formatou para que tivesse escala, para que tivesse uma operação simples, para rodar com poucas pessoas e com uma entrega como se fosse tudo feito lá, artesanal, mas com processo para que eu pudesse abrir uma loja em Belém do Pará, uma em São Paulo e funcionasse. Já nasceu para ser franquia, ter escala e para que a gente pudesse fazer uma entrega muito diferente para o cliente.
Eu não acho que você consegue treinar nada que você não saiba. Isso é o meu conceito de vida. (…) Se você não sabe operar, se você nunca serviu café, se você nunca tirou o café, se você nunca assou um cookie, ou atendeu um cliente, como é que você faz um treinamento de atendimento? E alguém pode falar: eu trago uma consultoria que faz muito melhor que eu. Muito melhor o quê? Vender sapato, livro ou biscoito é completamente diferente. A técnica pode ser a mesma, mas a forma de fazer tem que ser única. E aí você vai ser diferente. Se não você vai acabar sendo o que a gente vê muitas marcas aí, mais do mesmo. O cliente quer algo muito original e para você ter algo original você precisa operar, então eu fui operar,
Tem um post no seu instagram em que você diz: “Não estamos construindo um negócio que vende produtos, estamos construindo uma marca com uma experiência única, que se conecta com o coração das pessoas”. O que é essa conexão para vocês?
Raul: A marca só pode falar isso, se for o propósito dela. E eu, com muito orgulho, posso dizer que a Biscoitê, começou com um propósito, que é transformar a vida das pessoas através de momentos, biscoitos e presentes feitos com amor. E os valores, que eu já te falei: pessoas, amor e empreendedorismo. Quando você começa assim, e disposto a construir um negócio de longo prazo, você toma várias decisões que são ruins para o curto prazo.
A gente fala para o nosso time de vendas todo dia que a gente não tem vendedores, a gente tem encantadores. A venda é uma consequência de um cliente encantado, e não o oposto. A meta só vai acontecer se as pessoas amarem a biscoite. E a gente tem que ter paciência para construir marca e paciência para ter um time que eventualmente vai até não bater a meta, mas vai construir um relacionamento de mais longo prazo com o cliente.
Eu sempre falo assim: gente, o meu jogo aqui é um jogo de longo prazo. A gente está construindo a biscoiteira para as próximas décadas, não para o próximo ano. Exemplo é a meta de lojas. Se eu tiver 74 lojas, 75, 78, tanto faz. Eu preciso ter x lojas boas e não qualquer loja. Isso vale para relação com o cliente.
Numa empresa de 70 lojas deve ser um belo desafio você conseguir treinar todas essas pessoas para que entendam isso e pratiquem esse tipo de coisa, principalmente lá no ponto final. Como que vocês fazem isso?
Raul: Primeiro ponto, eu não acho que a gente pode treinar isso. Ou você tem esses valores como pessoa, ou eu não vou conseguir treinar. Hoje são mais de 500 pessoas, quase 600 pessoas em todas as lojas e fábricas e depósitos e tal. E eu não conheço a maioria dessas pessoas. Agora, eu tenho abaixo de mim um time que pensa assim, abaixo desse time tem alguém que pensa assim, e aí a gente vai cascateando isso. E tem uma frase assim: se eu tiver amor e transmitir amor para a próxima pessoa, isso transborda no outro, transborda no outro e chega no cliente. Agora, se eu transmitir porrada, no de baixo vai ser porrada, no outro, porrada e vai chegar no cliente porrada. Então é só um reflexo do que você faz e das suas atitudes. E confesso que isso não é fácil no varejo.
Vem ouvir a entrevista completa, com muito mais histórias e detalhes, em nosso podcast: no Spotify ou no Youtube.